A fila anda nos portos

Rodada de leilões de terminais encerra jejum do setor, arrecada R$ 430 milhões e abre espaço para avanço de empresas exportadoras

(Fonte: Istoé Dinheiro, 18.12.2015)

Na contramão da crise, a Fibria, gigante brasileira de celulose, espera poder contar com o avanço programado de 32% na sua capacidade produtiva, nos próximos dois anos, para aproveitar as oportunidades criadas com a alta do dólar. Cerca de 90% das vendas da companhia são feitas no exterior – o grupo é o 22º maior exportador do País – e ficam mais competitivas com o câmbio desvalorizado. Para que parte do ganho não se perca no gargalo logístico brasileiro, a Fibria decidiu garantir o caminho aos seus clientes.

Consagrou-se vencedora na disputa por Macuco, uma das três áreas portuárias de Santos que foram a leilão na quarta-feira 9. A empresa venceu a concorrente Eldorado no quinto lance no viva voz e desembolsou R$ 115,047 milhões pela zona portuária. Pelos três terminais leiloados, o governo conseguiu arrecadar um total de R$ 430 milhões em outorga, 30% abaixo do esperado pelo Executivo – outro R$ 1 bilhão será pago em tarifas à autoridade portuária, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

A rodada encerra uma espera de três anos do setor, que ficou sem leilões desde a aprovação da nova Lei dos Portos, de 2013. Nos terminais, as vencedoras investirão R$ 608 milhões, ao todo. Somente a Fibria aplicará cerca de R$ 150 milhões em Macuco. “Para nós, os portos são parte importante da competitividade logística”, afirma o presidente da empresa, Marcelo Castelli, que acompanhou pessoalmente a disputa ao lado de sua equipe. Felipe Silveira, analista da Coinvalores, lembra o histórico da empresa de operar terminais.

“Quase 100% da produção da Fibria é voltada para a exportação e a melhoria no porto vai aumentar sua capacidade de escoamento”, diz o analista. As gigantes Cargill e Louis Dreyfus Commodities, 4º e 10º maiores exportadores do País, respectivamente, também fazem parte das produtoras que engordaram o rol de investidores. Primeira área a ser leiloada, a Ponta da Praia, que movimentará granéis sólidos de origem vegetal, foi arrematada pelo consórcio LDC Brasil, composto pelas duas multinacionais.

As empresas ofereceram R$ 303 milhões, muito acima dos R$ 5 milhões propostos pela Agrovias. O consórcio opera no porto desde 2009 e agora quer ampliar a capacidade para dar conta do crescimento da produção. A expectativa é que o volume de grãos movimentado na área suba dos quatro milhões atuais para sete milhões de toneladas ao ano. “Queremos recapacitar o terminal para elevar as cargas no local”, diz Clythio Van Buggennhout, diretor de Portos da americana Cargill. “Consolidamos nossa posição e agora queremos colher os frutos.”

A zona portuária de Paquetá, que também movimenta celulose, ficou com a administradora Marimex, de Santos. A empresa desembolsará R$ 243,2 milhões em investimentos e R$ 12,5 milhões em outorga. Os lotes concedidos integram um pacote de 93 arrendamentos, que devem ser licitados até o fim de 2016. A previsão é que, em janeiro, o governo publique os editais para a segunda fase dos leilões, que contemplará as áreas portuárias do Pará, como a Vila do Conde, que ficou de fora da disputa por falta de propostas.

A próxima rodada está prevista para março e o governo espera que os resultados sejam melhores. “Esse é o primeiro passo para o processo de licitação das áreas portuárias”, disse Helder Barbalho, ministro da Secretaria de Portos. “Apesar das condições econômicas do País, conseguimos R$ 430 milhões em outorga e mais de R$ 600 milhões em investimentos. São números significativos.”

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